Prika Amaral, da Nervosa, desabafa sobre machismo no metal

Prika Amaral – Nervosa – Crédito Facebook

Uma das instrumentistas mais importantes do metal nacional, Prika Amaral, guitarrista e fundadora do Nervosa (SP), desabafou sobre o machismo no metal. Você, amigue que me lê, sabe que existe e pouquíssimas mulheres têm a coragem de falar contra o clubinho do bolinha que se tornou a cena do metal no Brasil. Não que já tenha sido diferente, mas em pleno 2021, é ridículo jogarmos com o mesmo pensamento dos anos 80. Em entrevista concedida ao Régis Tadeu e ao Paulo Baron, a artista comentou que “Nunca pensei em ter um homem na banda. E isso nunca vai acontecer”.

Ela não está errada em pensar assim, mas o que acontece é que os machistas que querem odiar uma banda com mulheres, vão odiar qualquer coisa que uma mulher fizer. A fala da Prika é muito sincera e muito coerente com a história da Nervosa. A fala polêmica foi em resposta a pergunta feita por Paulo Baron: “Em algum momento te passou pela cabeça incluir um homem dentro da banda?”. No que a guitarrista respondeu:

“Isso jamais passou pela minha cabeça e jamais passará! Uma porque no começo, lá no começo quando comecei a tocar guitarra, lá em 99, era MUITO difícil achar meninas para tocar. E quando você achava, eram meninas que estavam estudando ainda, que não se dedicavam muito ao instrumento, que tinham o sonho de querer ser profissional, de querer tocar em banda, mas não tinham a atitude. Porque estavam com foco em outra coisa, às vezes também a família implicava um pouco, porque quer que estude, o que é normal. Mas era muito difícil. Realmente existiam poucas. E hoje em dia com a internet, há uma nova geração de mulheres musicistas incríveis. Meninas super novas tocando maravilhosamente bem. Então hoje o leque de oportunidades é muito grande. E outra, quando eu comecei o projeto, com a Fernanda Terra, a ideia era ser uma banda de mulheres. Por isso a gente colocou um nome feminino. Meio que também para forçar a gente a manter o feminino, depois da ruptura, eu recebi uma enxurrada de mensagens, principalmente de garotas da América Latina, dizendo ‘O Nervosa tem que continuar’, ‘O Nervosa significa muito pra gente’, ‘Vocês são o nosso maior símbolo’, ‘E se vocês acabarem muita menina vai se sentir desanimada e pode até desistir’. Já não tinha passado pela minha cabeça desistir, mas isso reforça ainda mais que a gente tem que manter a Nervosa como uma banda feminina. Nome feminino, imagina um cara tocando numa banda que se chama Nervosa?! Ia ser um pouco engraçado (risos)”

Tá errada? Não tá. Mas a moça teve que publicar na noite desta quinta-feira (25/02) um texto para explicar porque pensa assim, pois estavam ofendendo uma das maiores guitarristas do Brasil por querer manter a essência da Nervosa.

Os comentários negativos acontecem, mas ainda bem que o talento da Nervosa faz com que as críticas sejam apagadas. Você pode ir lá no canal do YouTube, só com muita procura você consegue achar os “mimimi”. A entrevista com a Prika Amaral está muito legal, e o álbum mais recente do Nervosa, Perpetual Chaos, com a nova formação, já ganhou resenha por aqui e que com certeza estará na nossa lista de melhores do ano.

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