Riqueza, inveja e luxúria: Confira entrevista com Mortifer Rage

Mortifer Rage – Crédito: Divulgação

Um dos clipes mais bonitos que assisti em 2020. Este é o “Touch of Blood”, da banda de death metal, Mortifer Rage (MG). Fala sobre riqueza, inveja e luxúria, tudo em uma estética muito bela e simples, mas repleta de significados. A leveza da dança que se encontra com a agressividade do som, o barro laranja que se encontra com o som pesado. O clipe falava, gritava, e eu soube ali que deveria conversar com os músicos do grupo mineiro.

De acordo com o baixista e vocalista, Carlos “Pira”, a música fala sobre a ganância do ser humano e os efeitos devastadores que a prática causa nele mesmo e no planeta.

“Em analogia ao rei Midas, que era um ganancioso contumaz, e por ser assim caiu em desgraça, tudo que o homem toca, movido pela ganância é destruído. O conceito é o que a prática gananciosa pode trazer e causar no ser humano, primeiro o ouro (riqueza) e depois a desgraça que recai sobre tudo e todos. Queríamos que, prioritariamente, o videoclipe captasse, claro, a identidade da banda em um ambiente aberto. A locação da banda foi em uma pedreira na cidade de Santa Luzia, MG. Já conhecíamos o local e passamos a ideia para o produtor, Davidson Mainart, que a aprovou imediatamente.”, conta.

Mortifer Rage – Touch of Blood

O músico “Pira” complementa que a inspiração para o clipe de “Touch of Blood” veio da interpretação do produtor e diretor, Davidson Mainart, sobre a letra que é ampla, mas contou com um recorte para o audiovisual. O figurino e a maquiagem são de Alice Austríaco, que trabalha com efeitos especiais, maquiagem, direção de arte e produção.

“A modelo pintada de ouro simboliza a própria ganância e o objeto de desejo dessa ganância, a riqueza a qualquer preço e o sangue simboliza os efeitos dessa prática, desgraça e destruição. O trabalho de maquiagem e figurino no corpo da modelo levou cinco horas, sem incluir o estudo prévio e testes de maquiagens de referências feitos anteriormente.”, detalha Carlos.

Depois do espetáculo visual apresentado em “Touch of Blood”, não é difícil perguntar: como ele se encaixa nos próximos projetos da Mortifer Rage? Durante a entrevista, Carlos “Pira” revela que o próximo trabalho será conceitual e seguirá os preceitos da banda que é:

“Destilar fúria consistente contra organizações sistemáticas que depõem a desfavor da plenitude do espírito livre e da vida, combate a hipocrisia humana e religiosa e todas e quaisquer formas de manipulação humana e aborda a letargia e aflição diante dessa realidade histórica, Touch of  Blood é um dos elementos constituintes desses conceitos, a ganância.”

A Mortifer Rage é formada por Carlos “Pira” (baixo, voz) Robert Aender (guitarra), R. Amon (guitarra, backing vocal) e Ângelo Petterson (bateria). O single “Touch of Blood” (2020) sucede os álbuns “Fall of Gods” (2017) e “Murderous Ritual” (2008), além dos EPs “Field of Flagelation” (2013) e “Hangmen’s Hate” (1999).

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