Entrevista: Um casamento adiado rendeu o ótimo single de Júlia Hardy

Júlia Hardy – Married to Death (capa)

Adoramos mulheres fortes. Este é o caso de Júlia Hardy, vocalista e compositora paulista que lançou recentemente o single “Married to death”. A canção surgiu após a experiência de adiar um casamento e sair de um relacionamento tóxico, ao unir os dois traumas, a cantora os transformou em combustível para a música que une heavy metal e hard rock, com arranjos de Val Santos (ex-guitarrista do Viper). Conversamos com a artista sobre a canção, as influências musicais e muito mais!

A letra de “Married to death” foi escrita em 2019 por Júlia Hardy, que conta que na ocasião havia adiado um casamento e não tinha se livrado de um relacionamento tóxico.

“O casamento chegou a ter tudo pronto para acontecer, igreja, vestido, buffet… Mas eu decidi adiar. Isso aparece na música através de uma ficção. O fim do casamento, o relacionamento tóxico, tudo isso é transformado em ‘criaturas demoníacas’ que me afastam da Igreja e de Deus, e do casamento. Como de fato, eu acredito que aconteceu, mas a criatura era uma pessoa só. Que no imaginário da música se transformou em espíritos malignos.”

Em busca de libertar-se dos demônios pessoais, Júlia mergulhou na música. E a arte a salvou. De acordo com a cantora, o maior desafio durante este processo foi acreditar em si mesma e transformar algo doloroso em arte. O lançamento do single “Married to death”, muito mais que a cura de um mal, simbolizou a entrada da artista no rock e na música profissionalmente. Antes de lançar-se na carreira solo, a cantora participou da banda Pernóstica e estudou na Escola de Arte Dramática da USP, tornando-se atriz.

“Já existia uma Júlia Hardy, artista, a atriz. que estava parada. Dar esse passo, é deixar nascer alguém que estava presa dentro de mim há muito tempo querendo ter vida. Júlia Hardy, a cantora/compositora. Os desafios são diversos: compor decentemente, cantar decentemente, se afinar com um produtor, viabilizar a produção. Ensaios em casa, durante a quarentena, para algo que tem que ser profissional. Vencer as próprias limitações.”, analisa a cantora.

Júlia Hardy – Crédito: Joo Esteves

Enquanto as influências para o single “Married to death” vão de Evanescence à The Pretty Reckless, o que inspira musicalmente Júlia Hardy é infindável: a estética gótica passa por Tim Burton, David Lynch, e também a direção dramatúrgica de Mário Bortolotto e Paulo Biscaia.

“As minhas influências são muito diversas, eu escuto desde Joy Division e The Smiths, até Evanescence. Viper, Shaman, Battle Beast, Tarja Turunen, Nirvana, Pearl Jam, Hole, Ramones, Placebo, David Bowie, Scorpions, Madonna, sei lá tanta coisa diferente entre si que não cabe numa entrevista. Acho que essa música tem influências diversas, gótico, metal melódico, um pouco de punk, pop, sem dúvida. Mas não poderia deixar de citar Iron Maiden, Angra, André Matos, Cranberries e Metallica. ”, tenta resumir Júlia Hardy.

A capa do single traz uma igreja na Bahia e é uma fotografia de Carlos Bêla. Já as imagens de divulgação são de autoria de Joo Esteves. A letra e a melodia de “Married to death” é de Júlia Hardy, enquanto Val Santos ficou responsável por tocar todos os instrumentos e cuidar dos arranjos, produção, mixagem, masterização e direção musical. A gravação foi realizada no Studio High Five, com Pedro Hernandes e Rodolfo Duarte como responsáveis.

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