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Conversamos com o Weald & Woe sobre o novo álbum

Weald & Woe - Crédito: Divulgação

Weald & Woe – Crédito: Divulgação

A melhor parte de ser jornalista de música é poder ouvir uma música boa, um álbum legal e ter a chance de entrevistar o músico sobre isso & contar para todo mundo o que rolou. É uma espécie de “kiss and tell”, só que profissionalmente. A conversa desta vez foi com o americano Jeff Young, aka Artos, guitarrista do Weald & Woe, porém mais conhecido pelo seu trabalho na By Fire & Sword. Falamos sobre o álbum de estreia “The Fate of Kings and Men”, a transição do Power Metal para o Black Metal, as influências musicais do trabalho, o conteúdo das letras, e como se isso não fosse o suficiente, o artista ainda preparou um faixa a faixa super especial para os fãs.

 

O Weald & Woe é um projeto solo do guitarrista Jeff Young, e nele a busca é por mostrar o lado obscuro com o Black Metal como plataforma. O álbum de estreia é o “The Fate of Kings and Men”, em que Jeff, atendendo como Artos, escreveu todas as músicas, arranjou e tocou todas as guitarras, baixo, vocais e sintetizadores no próprio estúdio, The Bear’s Den. A bateria foi projetada por Z.V. House, no Rabbitbrush Audio, mesmo lugar onde o disco foi mixado e masterizado. Já Maelstron, também integrante da By Fire & Sword, executou a bateria.

 

Na primeira audição do álbum “The Fate of Kings and Men”, a questão que surgiu na minha cabeça foi como Jeff fez a transição de uma banda de Power Metal para um projeto solo de Black Metal. E claro, foi também a primeira pergunta que fiz para o guitarrista. Segundo ele, como ele é guitarrista e compositor nas duas “partes”, não sentiu a mudança.

 

“No estilo de Black Metal que escrevo, há muitas sobreposições – eu trabalho muito com leads e harmonias, então é uma área muito confortável para trabalhar e navegar para frente e para trás e pode ser bastante fluido. As harmonias e tipos de pistas que posso usar mudam dependendo do gênero, ou seja, quais intervalos e escalas usar, etc, mas a verdadeira diferença está nas guitarras base e na estrutura de acordes das músicas. “The Sadness of Mortal Man” é provavelmente o exemplo mais claro de sobreposição, já que essa música pode soar bastante edificante em contraste com o resto do álbum.”, detalha Jeff.

 

Ok, ele não sentiu diferença do Power Metal para o Black Metal. Mas e trabalhar sozinho? Quais são os prós e contras em tocar em um projeto solo? Sobre isso, Jeff adiantou que ainda que a Weald & Woe seja um trabalho dele, que compõe, arranja e cuida de todos os instrumentos, ele ainda envia as faixas para o baterista, e tem contato com o engenheiro de som que cuida da mixagem e masterização.

Portanto, talvez seja 90% só eu, com os outros dois contribuindo com os últimos 10%. Adoro trabalhar assim. Isso me dá controle total sobre o produto final, que geralmente é algo que venho preparando na minha cabeça há muito tempo e vê-los se concretizando com tanta precisão é muito, muito gratificante. Eu trabalho no meu próprio ritmo e não preciso depender das habilidades ou horários de ninguém além do baterista e do engenheiro. A única desvantagem desse método é que, se eu tiver um bloqueio de escritor, não tenho uma equipe ao meu redor para trocar ideias e me inspirar novamente ou colocar algo de volta nos trilhos rapidamente. Às vezes fico uma ou duas semanas sem escrever nada por esse motivo.”, desabafa Jeff.

 

 

Faixa a Faixa

Pedi para o Jeff Young escrever um resumo, de cerca de um parágrafo, sobre cada canção. Entendo que é uma tarefa difícil para todo artista falar sobre a própria obra e dissertar sobre o que quer falar. Mas o guitarrista abriu uma exceção: “Não vou decifrar explicitamente sobre o que é literalmente cada música em relação à narrativa do álbum. Não gosto de orientar as pessoas, quero que elas experimentem por si mesmas sem minha intervenção, mas vou falar um pouco sobre cada música.”

Só temos a agradecer à generosidade do Jeff. Obrigada!

Weald & Woe - The Fate of Kings and Men (capa)

Weald & Woe – The Fate of Kings and Men (capa)

OUR SORROW IS GREAT: Esta música é a introdução chocante do álbum. É rápida e frenética e representa imensa tristeza e pesar emparelhados com raiva. É o fim de um grande conflito apenas para se ver lançado direto em outro pesadelo. Serve para definir o tom narrativo da primeira metade do álbum.

MIST AND BONE: Mist and Bone é uma música rica em exposição que define muito o pano de fundo para este mundo, contra o que (ou quem?) o personagem está lutando. Não é do ponto de vista do personagem principal, então a música é um pouco menos agressiva e apresenta mais orquestração do que as outras.

A HERALD OF WOE: Essa é a música onde o personagem percebe o que deve fazer a todo custo. É uma canção de determinação e vontade – um homem investindo nas profundezas e nas trevas porque não há outra opção. Ele terá sucesso ou morrerá. Apresenta um pouco mais de orquestração para representar a grandiosidade de sua decisão.

THE SEER AND THE BIRD: Esta música equilibra o ponto de vista entre o personagem principal e outro homem de quem ele tem medo, mas deve buscar sabedoria sobrenatural. Como resultado de sua bravura nesta consulta, ele recebe um presente mágico para ajudá-lo em sua busca, bem como algumas informações muito importantes.

THE LAND OF FORGOTTEN SUNS: Na letra referi-me a ela como minha ‘Ode a Montanha da Perdição’, mas nem essa música, nem este álbum, são baseados em Senhor dos Anéis. A música representa o único lugar neste mundo que você não quer ir – um lugar de escuridão constante onde seres malignos e maliciosos apodrecem e destroem a luz. O personagem sabe que deve ir até aqui para aprender sobre seu inimigo. A música fornece muita exposição sobre o inimigo e sua laia.

SACRIFICES: Sacrifícios é o ponto da história em que o personagem percebe totalmente tudo o que deve fazer para limpar o mundo do mal que destruiu sua vida. O peso desse conhecimento é devastador, pois requer o reconhecimento de todas as trevas que vivem dentro dele, bem como da humanidade. Ele nos fala sobre a depravação do inimigo e seu modo de vida e o sacrifício que nosso herói deve infligir e suportar para ter sucesso.

THE SADNESS OF MORTAL MAN: Esta música não tem palavras, então a interpretação está realmente disponível. A intenção é soar heróica, triunfante e talvez um pouco triste. É um turbilhão de emoções, aberto à sua interpretação.

THE BLADE ONCE BURIED: À medida que nos aproximamos do fim de nossa jornada, o herói lida com as repercussões do que ele fez e contempla o valor de sua vida no estado atual. Ele está cansado – deseja continuar agora que tanto de si mesmo e de sua vida foram arrancados e destruídos?

THE FATE OF KINGS AND MEN: O título desta pretende ser retórico e filosófico. Todas as criaturas nascidas no mundo acabarão compartilhando o mesmo destino. É uma mediação sobre a ideia de que quem você é como pessoa é muito mais importante do que onde você se senta em qualquer escala social. Ninguém permanece rei quando está morto.

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