Booker de grandes bandas é acusado de assédio e bullying

John Finberg é acusado de assédio e bullying
John Finberg é acusado de assédio e bullying

O metal não é um dos meios mais saudáveis para as mulheres. Assédio sexual, bullying e hostilidades em geral são sempre presentes. O único meio de combater isso é se impor contra quem perpetua esse tipo de violência e denunciar. E foi isso que fizeram algumas pessoas que sofreram com as atitudes de John Finberg, booker que trabalha com bandas como Epica, Nightwish, Amorphis, Warbringer, Suffocation, Immolation, Sonata Arctica, Overkill, and The Agonist, entre outros. 

A matéria saiu originalmente no dia 28 de setembro de 2020, no Metal Sucks, em inglês, e aqui fazemos um resumo do que aconteceu após às denúncias e traduzimos o conteúdo para o português. Vale lembrar que os nomes citados na matéria são alias, a fim de proteger a privacidade das pessoas que denunciaram. Além dos nomes, nenhum dos detalhes das histórias abaixo foram modificadas.

Nightwish, Epica, The Agonist, entre outras

Quando Rachel tinha cerca de 20 anos, ela recebeu um convite de amizade no Facebook de John Finberg. Como o proprietário da First Row Talent, Finberg trabalhava como booker de várias bandas grandes. Rachel estava em uma banda e estava tentando crescer. Naturalmente, ela aceitou o convite de amizade de Finberg.

Os caminhos deles já tinham sido cruzados uma vez anteriores, em um show do Nightwish há dois anos, quando ele colocou a mão em suas costas e falou que ela era linda. Ele lembrava do incidente – em sua primeira mensagem no Facebook:

“Ele disse que lembrava de mim do show e estava me acompanhando de longe, desde então”

E ele queria que a banda dela abrisse um show dentro de uma das grandes turnês que ele cuidava. Então ela concordou em encontrar ele num show que ele marcou para “discutir o show”.

No lugar do show, ele deu a ela tratamento real: conversaram com a banda no ônibus da turnê, drinks grátis, e um monte de merchandising. Ele a convidou para acompanhá-lo ao banco, para observá-lo depositar 28 mil dólares em dinheiro, e então a levou para um jantar caro em uma steak house chique, onde ele colocou a sua mão no joelho dela e falou: “Minha querida, não importa o quão talentosa você é, a menos que você encontre a pessoa certa, e eu te prometo que você acaba de encontrar a pessoa certa.”.

Então, ao retornar ao show, Finberg tornou-se agressivo. “Ele continuava me servindo shots”, diz Rachel. “Chegou a um ponto que ele começou a colocar a mão dentro da minha calça e tentou me tocar e eu disse a ele ‘Não’. Ele disse que eu devia isso a ele, que eu estava pedindo por isso desde que eu cheguei lá… Desde que eu o conheci e jantei com ele, que era isso que eu estava pedindo.”.

Rachel disse que Finberg tentou beijá-la. “Chorando e magoada”, ela o empurrou e fugiu para a multidão, onde ela encontrou um amigo que a levou para casa.

Finberg começou a retaliar imediatamente. “No dia seguinte, John me enviou um e-mail e começou dizendo ‘Como você ousa fugir? Eu te mostrei tanta hospitalidade! Que tipo de jogo você está fazendo?’”

“Eu disse: ‘Olha, eu não estou tentando fazer joguinho. Eu pensei que você estava interessado em ajudar a minha banda. Eu não percebi que você achava que isso era algo mais.’ E ele disse, ‘Eu ainda quero ajudar sua banda, mas eu quero mais em troca.’”.

Depois de rejeitar mais uma vez seus avanços, Rachel alega que Finberg perdeu a cabeça e ameaçou se intrometer em seus assuntos pessoais, dizendo que ele ia colocá-la na blacklist da indústria e ia se certificar que ela e a banda dela nunca assinariam com uma gravadora e nunca fariam uma turnê nos Estados Unidos.

“Quando ele não recebeu uma resposta, ele começou a enviar mensagens se desculpando, dizendo, ‘Eu sou muito fodido, me desculpe. Eu preciso de ajuda, eu sei que preciso de ajuda. Eu só achei que você era esse tipo de pessoa pura que poderia me ajudar’. Na verdade foi muito louco”. Rachel continua. “Ele começou a detalhar como a mãe dele tentou matá-lo com um machado quando ele era um adolescente. Ele estava tentando usar um passado estragado para explicar o comportamento dele. E no fim eu falei pra ele ‘Obrigada, John, eu espero que você melhore em algum momento. Eu te desejo o melhor, mas não acho que está entre nossos interesses continuar contato com você’.

“Desde então, ele tem essa vingança esquisita contra mim”, Rachel continua. “Por um tempo ele ameaçava me expulsar dos shows com qualquer uma das bandas dele”.

No Natal de 2017, depois de não se falarem por anos, Rachel conta que Finberg a chamou com o pretexto de “limpar o ar e fazer a coisa certa”. Mas ele perdeu a razão novamente quando ela sugeriu que ele estava tentando pedir desculpas. “De repente ele diz ‘Espera, esquece, foda-se, eu odeio você, espero que você arda no inferno, sua p*ta. Eu espero que seu bebê seja arrancado de você enquanto você é estuprada por seu ex repetidamente’. E então ele desligou na minha cara.”

“John não é somente assustador”, Rachel diz sombriamente. “John tem esse elemento perturbador que faz ele o dobro de assustador. Porque ele tem essa parte irracional dele que colocaria fogo em você se pudesse”.

Um assediador recorrente

A história de Rachel não é a única. Finberg, que irá completar 50 anos em 2020, está na indústria desde os anos 90, trabalhando como agente para várias outras empresas antes da First Row, e as maldades dele são um dos segredos mais conhecidos no negócio. E mesmo assim, ele permanece como uma figura temida, considerada por muitos intocável. 

No último ano, o site MetalSucks falou com as vítimas dele, e também com testemunhas, que alegam os erros de Finberg.

Mas muitas pessoas se recusaram a falar publicamente, ou apenas concordar em falar sob a proteção de um alias, com medo do risco de receber a vingança do booker. “A pessoas não querem falar sobre isso, não querem se envolver, não querem saber”, diz uma mulher que diz ser maltratada por Finberg. “Eles não querem apontar o dedo para ele porque tem medo dele”.

De fato, além do assédio sexual perpetuado por Finberg, muitos profissionais da indústria o caracterizam como um bully com personalidade tóxica. 

“Ele vai te ameaçar, e vai ameaçar processar a sua família”, diz Shea, que gerencia uma banda que uma vez foi um dos maiores clientes de Finberg. “Eu tenho visto promoters ter burnout por causa das intimidações dele… Ele é um homem sujo… Ele ameaçou tantas pessoas, tantas bandas”. 

Shea fala por experiência própria: quando a banda dele demitiu Finberg, o booker ameaçou a banda com um processo, com uma minuta completa das acusações elaborada por um advogado. “Ele me enviou um rascunho falso das acusações. Um advogado perdeu seu tempo para delinear acusações contra mim e a banda”, ele ri de forma incrédula. “Não deu em nada. Então ele nos ameaçou dizendo que nós não colocaríamos o pé nos EUA, ou ele iria nos processar, ele ia se certificar que a bilheteria fosse invadida”. Shea e a banda continuaram a ignorar as ameaças de Finberg, o que retornou anos depois como um conciso e-mail de uma linha perguntando onde intimar a banda quando eles desembarcassem em solo americano”.

Shawn Carrano, um proeminente manager que trabalhou com bandas como Polyphia, Whitechapel e Revocation, se recusa a trabalhar com qualquer banda que Finberg cuida. “Toda vez que eu começo a trabalhar com qualquer show de metal, eu pergunto imediatamente à banda, ‘Você trabalha com o Finberg ou já trabalhou com o Finberg?’”. Carrano explica que a razão de evitar os clientes de Finberg, vem de experiências passadas, “Se você não fizer algo do jeito dele, ele enlouquece e grita com você, fala todos os tipos de merd#”, e acrescenta que Finberg o ameaçou de morte “várias vezes”, por motivos banais. “Eu vou dirigir até Sacramento e vou matar você. Eu vou matar você, seu gordo filho da p*ta. Eu vou te encontrar quando você estiver em L.A, eu vou te ver em um show e vou cortar a sua garganta”. Carrano acabou bloqueando Finberg em seu telefone, e-mail e redes sociais, atitude que ele nunca tomou com nenhum dos mais de 1.600 contatos da indústria musical que ele mantém em seu telefone.

Já Steph Mellul, da Continental Tour, conheceu Finberg pela primeira vez quando ele era um jovem promoter, nos anos 90. No início de sua relação, ele diz, Finberg ligaria para ele “às 3h, 4h ou 5h da manhã, qualquer hora da noite, me assediando no telefone”, além de enviar para ele longos faxes especificamente feitos para esvaziar todo o suprimento de papel da máquina de fax. Finberg exigia que retornasse as ligações, independentemente da hora, e ameaçava retirar as bandas dele dos shows se pagamentos substanciais não fossem realizados em prazos surreais, e fazia graça da altura de Mellul, chamando ele de “merdinh#”, e sugerindo que Mellul precisava ficar em pé, em cima de um banquinho para alcançar o telefone.

E para piorar, Mellul alega que Finberg o chamou utilizando a “n-word”, diversas vezes, desde que descobriu que os pais de Mellul são marroquinos, ainda que Mellul tenha nascido no Canadá. Ele diz que não é o único exemplo que ele presenciou da intolerância de Finberg. Quando o baterista Mike Smith retornou para o Suffocation, em 2003, tornando-se o segundo integrante preto da banda, Mellul alega que Finberg falou pra ele, “Pois é, agora nós temos dois deles na banda”. Dois anos depois, Mellul acompanhou Suffocation e Finberg na turnê canadense e, durante este tempo, ele afirma, que ouviu Finberg “Disparando a n-word a todo o tempo”, além de fazer graça do sotaque dos franco-canadenses. Mellul sugeriu que Finberg é incapaz de não usar a raça como um problema a todo o tempo. “Se estivéssemos falando sobre promoters hispânicos, ele faria um comentário sobre isso. Se estivéssemos falando sobre afro americanos, ele também falaria algo”.

Quando Mellul começou a Continental (anteriormente conhecida como Rock the Nation America), com o líder da Kataklysm, Maurizio Iacono, em 2011, várias bandas, como Deicide, Hypocrisy, Scar Symmetry, e Destruction, abandonaram o Finberg e preferiram ir com os iniciantes. “Ele me odiava. Ele ficou pálido. Ele dizia, ‘Por que você está fazendo isso comigo? Você não pode fazer isso comigo’. Ele enviava e-mails para mim, para os managers das bandas, todos os membros das bandas. Krisiun o abandonou, Jungle Rot o abandonou, The Agonist também”. Mellul também conta que quando Finberg “foi demitido pelo manager do Epica, ele disse algo como ‘eu vou mijar no seu túmulo’”.

De acordo com Mellul, este é o comportamento padrão do Finberg, que frequentemente disrespeita outros veteranos da área do booking, os quais ele trabalha. “Antes de me tornar um agente, Finberg estava falando sobre Dan Rozenblum (Napalm Death, Municipal Waste), e Nick Storch (King Diamond, Baroness), e todo mundo, e simplesmente sendo totalmente condescendente: ‘você pode voltar para este cara (Rozenblum), com um bebê chorão nas costas, ou voltar para (Storch), que não sabe nada sobre metal’ e ele continuava falando e falando. E eu disse, ‘Cara, você está falando sério? Estes caras são o que mais fazem dinheiro para você (ao incluí-los nas turnês com as bandas dele)”.

Bobbie é um dos fundadores da Flight of the Valkyries, um festival anual, agora extinto, que era direcionado para bandas com mulheres vocalistas. Quando ele tentava agendar com a Doro Pesch para o evento, um amigo, Nathan, referenciou ela para o Finberg, que era responsável pelo booking na América do Norte, na época. Bobbie entrou em contato com Finberg e falou que foi indicado pelo Nathan; quando Finberg, em retorno, entrou em contato com Nathan para verificar a procedência de Bobbie, a troca foi bem longe de uma checagem de referências comum.

“‘Primeiro ele me perguntou se você era gostosa’”, Bobbie reproduz o que Nathan disse a ela sobre Finberg. “E eu perguntei, ‘O que você disse?’ Não percebendo na hora o tipo de pessoa que Finberg era. Então Nathan jocosamente contou que disse ‘Sim’. Então eu perguntei, ‘Bem, e o que mais?’. E Nathan disse, ‘Ele perguntou se você transaria com ele’” (Nathan não quis responder as pergunta enviadas pela MetalSucks para comentar esta história).

The Agonist

Danny Marino, membro fundador e guitarrista do The Agonist, disse que Finberg considera perguntas sobre as turnês como ofensas pessoais. “Se você não diz ‘sim’ imediatamente, isso se torna um grande problema. Como se fossêmos ingratos porque fizemos uma pergunta. [Eu poderia dizê-lo] ‘A rota está insana, eu não sei como vamos fazer isso, você tem 1.000 km entre diversos shows, você tem certeza disso? E então estávamos nós mesmo dirigindo uma van no inverno, passando pelas Rocky Mountains’. E se eu questionava isso preocupado com a nossa segurança, Finberg reagia com um ‘Fod#-se, talvez eu leve todas as minhas turnês para outra pessoa. Que tal? Que tal eu nunca mais agendar shows para vocês’”.

Finberg seguiu a promessa dele de colocar o The Agonist na blacklist da indústria. “Ele escreveu e-mails para todo mundo da Century Media, entre outros contatos, dizendo, ‘Se você continuar a trabalhar com o The Agonist, eu não vou trabalhar com mais nenhuma das suas bandas’ e todo este tipo de merd#.” Marino conta a redação da MetalSucks. “Steve Joh, era o nosso A&R na época, e ele é super tranquilo. Ele só me falou, ‘Não dá atenção para o Finberg, Century Media não vai abandonar vocês. Infelizmente, vocês estão manchados com ele. Ele é do jeito que é. Nós vamos pensar em algo’”.

Ainda, Marino acredita que os esforços de Finberg podem ter prejudicado a carreira do The Agonist. “Parece que, de repente, nada mudou em nosso perfil. Quando aparecemos pela primeira vez, nós tínhamos algo; Não tinha tantas bandas com mulheres nos vocais, com gutural e tal, era relativamente mais interessante e novo, e nós estávamos conseguindo várias revistas e publicações e tal. E com as ameaças do Finberg, parece que fracassamos”. Mesmo trabalhando com outro booker de reputação, como Rozenblum, não ajudou. “Eu não sei se a blacklist do Finberg prejudicou a nossa habilidade de conseguir turnês. Tudo que eu sei é que ele fez ameaças, e ele tentou cumpri-las”

Fiberg retornou a esfera da banda anos depois, com uma oferta de turnê, e eles voltaram a trabalhar juntos para uma segunda tentativa. Mas quando Marino conta que muitos dos mesmos problemas retornaram – a intimidação, a humilhação, e as dificuldades em ser pago – eles se separaram novamente, depois do que foi descrito como uma “briga massiva”, entre Finberg e a vocalista do The Agonist na época, Alissa White-Gluz, que agora está no Arch Enemy. (White-Gluz recusou a comentar esta história).

Bonded by Blood

Finberg era o booker da Bonded by Blood, quando o vocalista Mauro Gonzalez, que tinha 20 anos na época, entrou na banda. Em uma ocasião, depois de Gonzalez declinar a apresentar Finberg a uma dupla de amigas, Finberg “ameaçou arruinar minha carreira e nos retirar de todas as turnês e nos colocar na blacklist. Eu continuei a recusar, e ele saiu furioso”.

Stacey H. foi brevemente a tour manager de uma banda popular da Finlândia, que trabalha com o Finberg. Ela disse que Finberg começou a repreendê-la verbalmente quando ela fez pedidos simples sobre shows que iriam acontecer, uma responsabilidade importante no gerenciamento da turnê, que envolve fazer contato com o local do show com antecedência para verificar a logística para as apresentações.

“Eu enviaria a ele um e-mail perguntando:‘Ei, posso pegar os riders e os contratos, por favor?’”, Ela conta ao MetalSucks. “Veja bem, fui criado para ser educada e dizer ‘Sim, senhor’ e ‘Sim, senhora’. Quando o chamei de ‘senhor’ muitas vezes, ele disse, e cito: ‘Se você me chamar de ‘senhor’ mais uma vez, vou dar-lhe um tapa na cara. ” Stacey desatou a chorar ao relatar a conversa. “Isso é muito inapropriado, muito pouco profissional, e eu meio que me senti um pouco insegura para minha vida. Um tapa na cara não é o fim da linha, mas você não deve ser ameaçada de violência.”

Lawrence é membro de uma banda conhecida e assinou contrato com uma grande gravadora de metal. Ele alega que Finberg não apenas ameaçou ele, seus companheiros de banda e seu empresário, mas também suas famílias. Ele também acredita que Finberg uma vez enviou um homem para intimidá-los fisicamente por causa de uma disputa financeira.

“Estamos no merch, a banda de apoio está tocando, o local está relativamente lotado”, disse Lawrence. “Um homem muito alto e musculoso, de terno e gravata, com cabelo penteado para trás – parecia um segurança do Grand Theft Auto (GTA) ou algo assim – se aproxima da minha mesa. Estou atrás da mesa com meu baixista. O homem grita por cima da música ‘Você é Lawrence? Vem pra cá. Estou aqui para falar com você em nome do Sr. Finberg.’ Eu grito de volta: ‘Ei cara, eu não posso agora, estou vendendo mercadoria, somos as únicas pessoas cuidando daqui agora, posso falar com você depois do show ou você pode simplesmente dizer ao John para me ligar mais tarde, se for importante.’ O cara fica visivelmente frustrado e então cospe um grande cuspe em nossa mesa de mercadorias. Em seguida, ele passa as mãos em nosso display e derruba nossas camisas, CDs e jarros de gorjeta por todo o chão, e então se afasta antes que tenhamos a chance de pular sobre a mesa ou mesmo processar o que aconteceu. Então ele grita enquanto está de pé na saída, meio dentro do local, meio fora, ‘Se você f*der com John de novo, eu irei no seu próximo show e rasgarei você ao meio’”. O baixista da banda, que estava com Lawrence na época, confirmou o relato de Lawrence sobre o incidente.

Finberg incentivou suicídio de vocalista

Depois, há o caso de Nature Ganganbaigal, vocalista da banda mongol de folk metal, Tengger Cavalry. O Nature é descrito por amigos como uma alma gentil que lutou muito contra a depressão e doenças mentais, entrou em uma briga por e-mail com Finberg em julho de 2018, depois de enviar acidentalmente um argumento de crowdfunding para um John diferente (não está claro porque esse erro ofendeu tanto Finberg). Capturas de tela dessa briga adquiridas pela MetalSucks mostram Finberg recorrendo a xingamentos agressivos, depreciativos e insultos à Nature por causa de sua doença mental.

“Você é um idiota. Eu já apaguei seu endereço de e-mail. Nós dois sabemos que foi escrito para mim, mas você é um psicopata arrogante que precisa de remédios.” Poucas horas depois, Finberg mandou um e-mail novamente: “Pegue seu eu maníaco-depressivo e sua autopiedade com ódio de si mesmo e vá embora.” Depois que Nature se defendeu, dizendo a Finberg “Leve embora a sua má reputação e sua fala agressiva, cheio de drogas e mijo de prostituta e vá se f*der”, Finberg foi direto ao ponto: “Só se você prometer se matar, o que parece que você está feliz o suficiente para fazer.

Nature tirou a própria vida em junho de 2019. Ele tinha 29 anos.

Embora possa ser injusto culpar Finberg inteiramente pelo fim trágico da Nature, os amigos do músico, como Patrick M., acreditam que o booker é pelo menos parcialmente responsável.

“Eu gostaria que pessoas como John não enviassem mensagens dizendo às pessoas para se matarem, que não são mentalmente adequadas ou sadias”, diz Patrick. “Todos nós estamos lidando com nossas próprias lutas. A depressão é algo contra o qual lutei a maior parte da minha vida. Então eu entendo. E eu entendo como um e-mail destrutivo como esse de alguém afetaria você, especialmente [alguém] que é visto como um grande profissional na indústria e potencialmente poderia afundar sua carreira.”

Ainda assim, essas não são as acusações mais inquietantes contra Finberg.

Conheceu Finberg e terminou a noite no hospital

Jennifer, que trabalha na indústria musical, encontrou John Finberg apenas uma vez. Foi em um show onde uma de suas bandas, uma conhecida banda europeia, estava realizando um grande show de teatro.

Ela terminou naquela noite no hospital.

Ela foi convidada para a área VIP por um conhecido; ela aceitou e ficou muito feliz. Ela estava no show com um punhado de mulheres e seu irmão, Anthony, todos grandes fãs da banda. Antes daquela noite, ela ouviu o nome de Finberg flutuar na indústria, mas disse que “não sabia realmente quem ele era; Eu o conhecia. Eu sabia que ele estava trabalhando com a banda, mas nunca o conheci pessoalmente.”

Conhecer Finberg é uma das poucas coisas que Jennifer se lembra daquela noite. Ela diz que tomou “meio copo” de uma bebida servida por Finberg antes de desmaiar. “Não me lembro de nada do que aconteceu naquela noite. Eu estava lá, em um momento eu estava bem, e logo depois eu simplesmente não tenho ideia de nada do que aconteceu naquela noite.”

“Minha irmã estava bebendo muito devagar porque me disse que era muito forte”, diz Anthony. Ele afirma que toda vez que Jennifer tomava um gole de sua bebida, Finberg “continuava servindo, de modo que [o copo dela estava sempre] completamente cheio”. Quando ela parou de beber, de acordo com Anthony, Finberg “estava forçando a mamadeira nas meninas e na minha irmã”. Ele diz que tomou conhecimento de que, de forma bastante abrupta, várias mulheres da área VIP tornaram-se “violentamente bêbadas”.

Jennifer estava tão perdida em tão pouco tempo que começou a seguir as instruções de Finberg para beber vodca direto da garrafa, o que ela diz ser muito estranho para ela como alguém que não bebe muito. “Disseram-me que John estava enfiando a garrafa diretamente na minha garganta. Eu não sabia na hora, não sabia que isso acontecia. Mas ele estava enfiando vodca pura na minha garganta.”

Anthony se lembra de Finberg tocar muito nas mulheres. “Ele estava tocando elas ao redor da cintura e possivelmente indo [mais para baixo]. Ele estava as abraçando. Lembro-me dele lambendo o rosto de uma garota. “Em um ponto, Anthony agarrou uma garrafa da mão de Finberg e a afastou para evitar que Finberg forçasse mais álcool em sua irmã. “Ele olhou para mim como ‘Por que você está sendo um estraga-prazeres?’ Não importava para ele. Ele continuou, especialmente com as outras garotas.”

Anthony estima que se passou cerca de meia hora entre a hora do primeiro gole de álcool de Jennifer e a hora em que ela desmaiou no chão, sem resposta e vomitando. “Eu vi que ela não estava respondendo a mim. Eu a estava chamando e eu estava tentando falar com ela, mas ela não ouvia ou não fazia contato visual. Então comecei a dizer a ela: ‘Ei, estou falando com você’, e vi em seus olhos que algo estava errado.” Ele decidiu que era hora de sair, mas descobriu que sua irmã era incapaz de andar sozinha.

“Eu a coloquei no ombro e tentei carregá-la, [mas] ela estava vomitando e era apenas um peso morto, ela não conseguia andar”, diz ele. “Então, naquele ponto, percebi que era mais sério do que eu pensava.” Com a ajuda de dois seguranças, Anthony – que recusou uma das bebidas de Finberg por ser o motorista designado para passar a noite – colocou Jennifer no carro e tomou a decisão de levá-la ao pronto-socorro.

“Passei a noite no hospital com duas intravenosas”, lembra Jennifer. “Eu tive dez vezes a concentração de álcool que meu corpo poderia suportar porque ele estava derramando a garrafa direto na minha boca.” Ela afirma ainda que uma conhecida do show com ela também desmaiou. “Outra menina que estava comigo também, ela também estava muito doente. Parecia que as garotas eram o alvo porque os garotos também bebiam, mas por algum motivo as garotas estavam realmente fora de si.” O amigo de Jennifer se recusou a ser entrevistado para esta história.

“Quase tive danos ao fígado e poderia ter morrido naquela noite”, continua Jennifer. “Não é algo que eu possa simplesmente esquecer como uma experiência ruim. Eu deveria ter sido mais cuidadosa. Eu assumo essa parte da culpa, mas no momento eu realmente senti que estava no controle: ‘Estou aqui com a família e vou ficar bem’. Mas não estava bem. Meu próprio irmão estava lá; o que teria acontecido se eu estivesse sozinha?”

Finberg tentou adicionar Jennifer como amiga no Facebook várias vezes nos dias seguintes ao incidente. Ela recusou todas as vezes e acabou bloqueando-o. Eles não interagiram desde então.

Finberg não aceita “não” de mulheres

Amy G., que não trabalha na indústria musical, diz que ficou assustada com Finberg quase imediatamente depois de conhecê-lo em um show do Ministry, em Chicago, sete anos atrás. “Ele disse logo de cara algo sobre eu dormir com ele, e eu fiquei tipo, Uh, não, não é para isso que estou aqui. Eu não sei o que Paul disse a você. Mas eu não sou assim. E ele disse ’Bem, vamos ver o que acontece no final da noite.’”

Ainda assim, Amy deu a Finberg o benefício da dúvida, porque eles foram conectados por um amigo em comum que disse a ela que John precisava de alguém com quem sair na cidade. Mas então “o show acabou e ele esperava que eu voltasse para seu quarto de hotel com ele”.

Ela disse a Finberg que não estava interessada, e então o ataque verbal começou. “Ele teve um acesso de raiva porque eu não queria dormir com ele. Ele ficou muito chateado. Nesse ponto, isso me deixou extremamente desconfortável. Ele estava pressionando demais me fazer voltar para o hotel com ele.”

Finberg continuou tentando comprar bebidas para Amy na tentativa de relaxá-la; ela recusou. Mas ele persistiu em seus esforços para transar. “E foi então que ele disse tudo sobre o Nightwish”, ela diz. “Se eu fizesse sexo com ele, ele me levaria no tour, eu poderia ganhar merch e ele poderia cuidar de tudo, tudo estaria coberto, eu não teria que pagar por nada.” Amy nem mesmo é fã do Nightwish, que é amplamente considerado o principal cliente de Finberg e principal fonte de renda. Ela também não tem experiência nem interesse em vender merchandising na estrada. Além de tudo isso, aceitar tal trabalho exigiria uma quantidade notável de flexibilidade; a turnê estava se aproximando em apenas um ou dois meses.

Sendo esse o caso, a oferta empurrou Amy ao limite. Ela decidiu deixar o local. De acordo com Amy, a mensagem incessante começou cerca de vinte minutos depois: “Ele ainda estava tentando me convencer a dormir com ele.” Amy ignorou as mensagens, mas Finberg continuou implacável nos dias, semanas e meses seguintes. “Quando isso aconteceu pela primeira vez, ele mandava mensagens de texto provavelmente quinze vezes por dia, pelo menos, e eu simplesmente o ignorei. [Então] meio que desacelerou, mas a coisa toda durou dois ou três meses. Apenas ele [mensagens de texto], nenhuma resposta [de mim]. Três meses falando sozinho.”

“Uma das coisas que ele disse é que descobriria onde eu trabalhava e ligaria para eles e avisaria que eu era uma pessoa terrível. Tenho orgulho do meu trabalho, então não estava realmente preocupada com isso, mas fazer essas ameaças é uma merd#. Ele é louco… Eu só poderia supor que ele provavelmente teria inventado alguma merd#.” Ela acabou tomando medidas drásticas para impedir o assédio, ligando para a companhia telefônica para que o número dele fosse bloqueado (recurso que o telefone dela não tinha).

Enquanto isso, sua amizade com Paul, o homem que a conectou a Finberg em primeiro lugar, estava arruinada para sempre. “Eu não sei por que [Paul] seria amigo de alguém assim em primeiro lugar e depois me colocaria nesta situação.”

Todo mundo sabe o que acontece com Finberg

As bandas, empresários e gravadoras com quem Finberg normalmente trabalha estão cientes do comportamento do agente.

“Os encontros com ele sempre foram estranhos pra c#ralho”, diz Bradley, um ex-membro de uma banda de metal bem conhecida, mas menor. “Ele falou sobre negócios por cinco a quinze minutos, depois começou a falar sobre sexo.”

Enquanto estava em Nova York abrindo para o Epica – uma das bandas de estreia de Finberg na época – Bradley alega que viu uma mulher começar a chorar e correr para a saída com a simples visão de Finberg.

“Outra vez”, continua Bradley, “logo após o término de retirar os equipamentos, durante a preparação antes do palco, Finberg está conversando com [outro membro da banda]. Eu entrei na conversa e Finberg começou a mostrar fotos em seu telefone de algumas garotas com quem ele tinha feito coisas. Ele nos mostrou a foto de uma mulher que trouxera para sua casa, que estava tão bêbada que até urinou. Eu saí, enojado. Finberg achou que não havia problema em levá-la para casa, tirar fotos dela enquanto ela estava desmaiada e se urinava, e então se gabar de tudo”.

A primeira vez que Lawrence conheceu Finberg, ele disse que Finberg disse a ele “Eu gosto da sua banda, vocês são muito bons. Se você puder encontrar uma garota no meio da multidão que vai chupar meu pau nas próximas três horas, vou colocar vocês em uma grande turnê.” Quando a banda de Lawrence mais tarde adicionou uma mulher à sua formação, Finberg enviou a ela um pedido de amizade “prontamente, de forma estranha, como se ele estivesse stalkeando ela ou algo assim.” Lawrence afirma que Finberg “então perguntou ao meu empresário se [a vocalista] estaria disposta a ‘tirar férias privadas’ com ele para discutir ‘oportunidades de negócios’”. O baixista da banda lembra Lawrence chegando ao ensaio da banda um dia e informando-o sobre o convite não solicitado de Finberg à nova vocalista da banda, acrescentando que Finberg lançou isso como “férias de negócios” para discutir “onde eles queriam ir com a banda, como se isso fosse nos dar uma vaga de prestígio em algum festival”. Ele acrescenta: “Não sei, pela forma como ele opera, talvez fosse.”

Na última turnê que Bonded by Blood fez sob a representação de Finberg, Finberg ouviu Gonzalez zombando dele com outro membro do grupo em turnê. A retaliação de Finberg foi instantânea e vulgar: “Ele mostrou seus órgãos genitais nojentos para nós no meio do bar anexo ao El Corazon, em Seattle. Eu disse a ele: ‘Isso é assédio sexual’, ao que ele respondeu: ‘Se você contar a alguém, você está acabado, sua banda nunca mais fará turnê’ ”.

No entanto, a indústria continua protegendo John Finberg

“Disseram-me para não fazer nenhuma postagem [nas redes sociais] sobre ele porque isso colocaria os promoters em apuros”, diz Jennifer, a mulher que acabou no hospital depois de beber na área VIP  com Finberg. “Basicamente, me disseram para calar a boca sobre isso.” Ela acrescenta que conversou com outras mulheres da indústria após o incidente e que “todas elas disseram que ele é conhecido por agir dessa forma, ele fez isso com outras garotas, e comecei a ouvir todas as histórias sobre ele”. Jennifer conjectura que Finberg visa especificamente mulheres que trabalham na indústria por causa do poder que ele pode exercer sobre elas, para permanecerem caladas, ameaçando arruinar suas carreiras. “Essa é uma das razões pelas quais as pessoas têm medo e não falam.”

Stacey, a tour manager, parou de trabalhar com a banda de Finberg apenas alguns dias depois do início da turnê. Ela tentou discutir seus maus tratos com o empresário da banda por e-mail, que ela compartilhou com a MetalSucks. O e-mail original em inglês nós traduzimos abaixo:

Print original feito pela MetalSucks (Crédito: MetalSucks)

Olá, fulano. Eu queria falar com você pessoalmente em relação a próxima turnê. Eu estou com dificuldades em trabalhar com uma certa pessoa que trabalha com o booking da banda. Eu tenho sido humilhada em muitas ocasiões, verbalmente e sexualmente assediada, e ameaçada com violência vísica porque eu o chamei de “senhor”, ele ameaçou que eu levaria ‘um tapa no rosto se o chamasse assim mais uma vez’.

Eu ouvi de outras mulheres da indústria do mau comportamento dele. Eu adoraria ajudar você, a equipe e a banda, no entanto, esse problema tem que ser resolvido.

Eu adoraria conversar com você pelo telefone, eu fiz o download do WhatsApp, se for melhor.

Espero ouvir de você em breve.

Stacey

 

Stacey acabou tendo uma conversa de voz pelo WhatsApp com o gerente após o e-mail. “Tudo o que ele me disse foi, ‘Oh, essa é a personalidade [de Finberg]’, a banda disse a mesma coisa. ‘Esse é o humor dele’”. Mesmo a pessoa que recomendou Stacey a Finberg para o trabalho, que já havia trabalhado como tour manager para uma de suas bandas, não ofereceu um ouvido simpático. Stacey mandou uma mensagem na noite em que ela desistiu da turnê e pediu para falar, mas o conhecido recusou: “Ela disse: ‘Não posso porque estou ajudando uma banda a encontrar um novo tour manager’. E isso foi ela me repreendendo”.

“Todos, quero dizer, TODOS no escritório da Century Media nos EUA ‘sabiam sobre John’”, diz Lawrence. “[Eles] todos me disseram que ele era louco, imprevisível, não o tipo de cara com quem você quer trabalhar … Mas que se ele gostar de você, vá com ele. Porque ele obterá resultados e você fará uma turnê com as bandas. ” Quando a banda perdeu a chance de bater papo com Finberg depois de um show, Lawrence nos conta, um funcionário da Century os humilhou.

Lawrence tem e-mails da equipe da Century para verificar sua alegação de que a gravadora estava ansiosa para que sua banda deixasse Finberg representá-los. Um desses e-mails diz:

“Vou fazer com que [dois outros funcionários da CM] enfrentem Finberg. Na verdade, ele não seria tão ruim para vocês. Ele é insano e louco, mas ele faz as coisas. O único problema é porque ele é insano e louco, ele não trabalha bem com os outros, então vocês ficam um pouco limitados… Mas se você olhar para a lista dele, você pode garantir que fará uma turnê com todas as suas bandas.”

Então, por que as pessoas continuam trabalhando com Finberg?

Ele é o melhor booker para bandas europeias”, diz Shea. “Ele dá às bandas as maiores garantias.”

Ironicamente, Finberg traz essas garantias por meio de práticas comerciais duvidosas que aumentam seus próprios ganhos às custas da banda, de acordo com Shea.

Finberg supostamente faz isso vendendo meet-and-greet e pacotes VIP para seus próprios passeios por meio de um site de venda de ingressos de sua propriedade, EnterTheVault.com. Por este serviço, Finberg cobra uma taxa, o que não é incomum no mundo dos ingressos VIP… mas Shea afirma que também adiciona os pacotes  VIP vendidos no mesmo pote que as vendas de ingressos regulares, aumentando assim os números para as vendas que não são VIP. Isso permite que os promoters – que ganham 20% de desconto nas vendas por meio de EnterTheVault.com – ofereçam às bandas maiores garantias. O que, por sua vez, aumenta a própria comissão de Finberg como seu agente de reservas, ao mesmo tempo que permite que o promotor use a renda VIP para subsidiar uma perda no show. 

De acordo com Shea, “Algumas bandas não entendem que ele está recebendo uma porcentagem dos ingressos VIP e da garantia ”, reduzindo efetivamente sua receita geral, apesar das garantias mais altas (os bookers normalmente não tocam na receita VIP de uma banda). Outras grandes empresas de venda de ingressos, acrescenta Shea, recentemente tentaram empregar um modelo semelhante, que “deixou todo mundo realmente chocado”. Mas Finberg já faz isso há uma década, diz ele.

Outra tática que Finberg usa por meio de seu site de venda de ingressos é ainda mais suspeita, de acordo com Shea. Para shows canadenses, afirma o tour manager, Finberg “faz uma conversão um-para-um de dólar canadense para dólar americano”. Exemplos disso são fáceis de encontrar online: um próximo show da banda Powerglove no Mavericks em Ottawa, no Canadá, lista um preço base de $17 CAD (sem taxas); um show do Swallow the Sun em Montreal tem o preço do ingresso de $23 CAD através do local, Foufounes Electriques. Mas o The Vault lista os mesmos preços numéricos para esses programas, apenas em dólares americanos (veja as capturas de tela abaixo). A taxa de câmbio – cerca de $ 0,75 CAD a $ 1,00 USD no momento da publicação – sugere que Finberg está mantendo aproximadamente 25% de cada ingresso que vende para esses shows através do The Vault.

Print original feito pela MetalSucks (Crédito: MetalSucks)

Print original feito pela MetalSucks (Crédito: MetalSucks)

Print original feito pela MetalSucks (Crédito: MetalSucks)

“A banda sabe alguma coisa sobre isso?” Shea pergunta retoricamente. “Não, eles não cobram todos os preços dos ingressos. [Finberg] apenas embolsa [a diferença].” Além do mais, Shea nos conta, os locais canadenses foram abandonados respondendo aos fãs furiosos que descobrem preços de ingressos mais baratos do que aqueles que pagaram por meio do The Vault.

Finberg não pagava às bandas

Pelo menos dois dos ex-clientes de Finberg alegam que as tentativas de Finberg de obscurecer as transações comerciais em seu favor são ainda menos sutis do que o que ele supostamente faz com ingressos VIP e EnterTheVault.com. Lawrence e Marino, o guitarrista do The Agonist, alegam que o booker reteve ou se recusou a pagar o dinheiro devido a eles. E enquanto Marino diz que Finberg acabou pagando à banda o que eles deviam, Lawrence não teve essa sorte.

Durante uma das viagens de Finberg, Lawrence disse: “Percebemos que todas as nossas garantias noturnas não estavam sendo pagas para nós. Os promoters individuais nos diziam ‘Oh, John ligou e nós apenas enviamos tudo para ele, você pode fechar com ele mais tarde.’ Agora, ele compareceu a alguns desses shows. Uma noite, meu baixista e eu o abordamos para perguntar o que diabos está acontecendo e quando vamos receber nosso dinheiro, e tudo o que ele diz é: ‘Você não vai ver nada disso’ e então se afasta e se recusa a responder às nossas perguntas, recusa-se a olhar para nós, fingindo que nem sequer estamos lá. Como uma criança de cinco anos simplesmente ignorando outros colegas de classe.”

Então a banda decidiu ser pró-ativa e começou a ligar para os locais restantes da turnê com antecedência para ter certeza de que eles poderiam receber suas taxas de apresentação noturna pessoalmente, em vez de mandá-los para Finberg. Foi quando Finberg supostamente enviou o homem de terno e gravata para intimidá-los. Lawrence alega que Finberg “acabou não nos pagando totalmente após esta turnê”.

E nada disso leva em consideração pelo menos um caso em que o comportamento de Finberg prejudicou ativamente seus clientes.

Finberg prejudica o Nightwish na Grécia

Em 2015, Shea nos lembra, as provocações de Finberg contra o povo grego “literalmente viraram notícia de primeira página” naquele país. Finberg ficou bastante chateado com a crise econômica do país que atrapalhou os planos de turnê do Nightwish, então ele usou a mídia social para desabafar:

Print de post do Finberg no Facebook (Crédito: MetalSucks)

O Nightwish tentou se distanciar de Finberg após o incidente, divulgando um comunicado que dizia: “John Finberg não é o empresário do Nightwish, ele apenas [reserva] nossos shows na América do Norte e, aparentemente, suas ideias não têm nada a ver com a banda”. Mas o estrago estava feito: Shea nos disse que a capacidade da banda de atrair fãs naquele país diminuiu significativamente.

Porém, há uma luz no fim do túnel, à medida que mais e mais pessoas que Finberg maltratou dão um passo à frente e falam. “As mulheres, especialmente, estão finalmente se cansando disso”, diz Bobbie. “Não queremos ter que escolher entre apoiar as bandas de que gostamos e apoiar alguém que [se comporta dessa forma]. Deve ser muito fácil nos dias de hoje para as bandas escolherem trabalhar com alguém que não seja abusivo com as pessoas que trabalham com ele. ”

“Eu vejo o nome dele com bastante frequência porque tenho amigos que são músicos”, acrescenta Amy, “e fico put$ quando vejo isso”.

Jennifer, que diz que sua experiência com Finberg “tem me consumido desde que aconteceu”, acredita que as bandas não querem mais trabalhar com Finberg. “Eles estão apenas esperando que alguém faça algo sobre [ele]”, diz ela. Ela acrescenta: “Acho que muitas pessoas temem por sua carreira musical. Muitos de nós trabalhamos na indústria. As bandas têm medo de falar sobre isso. O fato de eles saberem que não é um caso isolado e de que há mais pessoas que tiveram que suportar isso, acho que agora é um bom momento.”

Patrick gostaria que mais músicos estivessem dispostos a se posicionar contra Finberg, do jeito que ele diz que o Nature fez. De acordo com Patrick, ao falar sobre Finberg, o músico disse a ele: “Estou disposto a deixar minha banda para [revelar] qualquer merda f*dida para o público. É apenas uma banda. Mas nossa moralidade … sem isso, o mundo é escuro.”

O que aconteceu depois da denúncia?

Logo após a denúncia relatada na matéria da MetalSucks, e traduzida por nós, do METAL SIRIUS, as bandas Nightwish, Amorphis, Delain, Battle Beast, Amaranthe e Swallow the Sun, demitiram John Finberg. Quem também se posicionou foi o Sonata Actica, que disse que o contrato com Finberg terminou no dia 01 de janeiro de 2020. 

1 Comment

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *